Representação Social da Psicologia e do Psicólogo Sob o Olhar da Comunidade de Assis/SP - Brasil

 

BORSEZI, C. S.; BORTOLOMASI, E.; LIBONI, R. G.; REIS, M. F.; TAMANAHA, H. Y. GUIMARAES, J. L.

Universidade Estadual Paulista –UNESP
Faculdade de Ciências e Letras – Campus de Assis/SP
(Brasil)

 

Representación Social del Psicólogo y de la Psicología, Bajo Mirada de la Comunidad de Assis/SP - Brasil

RESUMEN

El actual artículo presenta los resultados de la investigación llevados a través con el objetivo para investigar la representación social de la psicología y del psicólogo, según la opinión de la población de Assis. En la realización de la investigación la existencia del curso de la psicología del Unesp/Assis fue tomada en cuenta, así como del programa de la atención psicologica a la comunidad, llevado a través para el centro de la investigación y psicología aplicada el "doctor Betti Katzenstein", - CPPA que, en tesis, contribuiría para la construcción de una representación de la ciencia psicologica y del funcionamiento del psicólogo al lado de la realidad. Habían sido entrevistados con, del cuestionario probado previamente, de 271 ciudadanos distribuidos geográficamente y proporcional en los diversos cuartos que componen la zona urbana de la ciudad. Los resultados sugieren la carencia del conocimiento de parte de la comunidad en relación al objeto del estudio de la psicología y a las formas de funcionamiento profesional del psicólogo.

Palabras claves: Representación Social; Psicología; Papel del psicólogo

 

Representação Social da Psicologia e do Psicólogo sob o Olhar da Comunidade de Assis/SP - Brasil

RESUMO

O presente artigo apresenta os resultados de pesquisa realizada com o objetivo de investigar a representação social da Psicologia e do Psicólogo, segundo a percepção da população de Assis. Na realização da pesquisa levou-se em conta a existência do Curso de Psicologia da Unesp/Assis, bem como do programa de atendimento psicológico à comunidade, realizado pelo Centro de Pesquisa e Psicologia Aplicada “Doutora Betti Katzenstein”, - CPPA que, em tese, contribuiriam para construção de uma representação da ciência psicológica e da atuação do Psicólogo mais próximas da realidade. Foram entrevistados, a partir de questionário previamente testado, 271 sujeitos distribuídos geográfica e proporcionalmente nos diferentes bairros que compõem a zona urbana do município. Os resultados sugerem a falta de conhecimento por parte da comunidade com relação ao objeto de estudo da Psicologia e às formas de atuação profissional do Psicólogo.

Unitermos: Representação Social; Psicologia; Papel do Psicólogo.

 

Social Representation of the Psychologist and Psychology, Under the Look of the Community of Assis - Brazil

SUMMARY

The present article presents the results of research carried through with the objective to investigate the social representation of Psychology and the Psychologist, according to perception of the population of Assis. In the accomplishment of the research the existence of the Course of Psychology of the Unesp/Assis was taken in account, as well as of the program of psychological attendance to the community, carried through for the Center of Research and Applied Psychology "Doctor Betti Katzenstein", - CPPA that, in thesis, would contribute for construction of a representation of psychological science and the performance of the Psychologist next to the reality. They had been interviewed, from questionnaire previously tested, 271 citizens distributed geographically and proportionally in the different quarters that compose the urban zone of the city. The results suggest the lack of knowledge on the part of the community with relation to the object of study of Psychology and to the forms of professional performance of the Psychologist.

Key words: Social Representation; Psychology; Role of the Psychologist

 

Introdução

Desde os primórdios da humanidade, o homem busca compreender a complexidade de seu eu e a natureza de seu comportamento. Para isso, elaborava idéias mitológicas, explicando as atitudes das pessoas por influências de mitos.

Depois, vieram conclusões teológicas relacionando o comportamento e pensamentos aos espíritos e a Deus. É no campo teórico da filosofia, porém, que vão se materializar todas as especulações e dúvidas existenciais no período que, historicamente, se convencionou chamar de Psicologia pré-científica.A partir da filosofia de Platão, a Psicologia estrutura-se até alcançar um status científico.

Nos seus primórdios, quando buscava sua auto-afirmação, justificaram-se as concessões que teve de fazer a mais pura tradição experimental, inaugurada por Wundt, seguida por Titchener e, progressivamente, amainada ou abandonada pelas novas psicologias que foram se sucedendo.

Segundo Engelmann (1997), no começo da psicologia científica humana, para Titchener (1913), a introspecção era o método por excelência dos observadores.

Foram tantas contradições, nomes e postulados que não cabe, aqui, rememorá-los, menos por inoportunos e mais pelos objetivos a que se destina o presente texto.

O que é necessário fixar é a idéia de que a Psicologia surgiu num determinado momento da história, no conjunto das idéias que o homem foi fazendo sobre si mesmo, sobre os outros e sobre as coisas que o rodeiam. Traz como principal característica exatamente a peculiaridade do seu objeto de estudo e as dúvidas que suscita quanto às condições de que dispõe para cumprir o script proposto e historicamente cumprido pelas ciências que a precederam e com as quais vem tentando dialogar e fazer interfaces, sem ter que, para isso, se descaracterizar.

 A partir desse desenvolvimento foi possível compreender a complexidade das relações do homem em seu meio social e fora dele, as diferenças no estudo da criança e do adulto, a manifestação de patologias de ordem psíquica, entre outras abordagens. Todas estas questões pertinentes à Psicologia associam-se e influenciam, diretamente, na atuação do Psicólogo e na representação social que esta suscita. 

A representação social constitui-se através de diversas mediações realizadas de diferentes formas, como os meios de comunicação de massa, principalmente televisivos; por pessoas que já utilizaram os serviços de um Psicólogo e manifestaram sua (in) satisfação a amigos e/ou familiares e, principalmente, a postura do próprio profissional, como conseqüência de uma formação, muitas vezes deficiente e limitadora de sua atuação e contribuição à sociedade. Muitos desses aspectos já foram, com nuanças deferentes, apontados em diversos autores (Bock, 1999; Dimenstein, 2000; Pereza, 1997 e Yamamoto, 2002).

Dimenstein (2000; p.4), por exemplo, sugere que os fatores que influenciam na cultura profissional do Psicólogo brasileiro, podem ser agrupados em quatro categorias, principais, a saber: 1) história e ideologia da profissão em nossa sociedade; 2) condições em que se dá a formação em nosso país; 3) representação social da profissão e 4) população que procura os cursos de Psicologia no Brasil.

Dessa forma, constata-se a presença de uma questão ideológica que deve ser discutida. O caráter elitista da Psicologia atualmente exercida é um dos aspectos fundamentais, que tem origem na própria concepção dos futuros profissionais com relação à Psicologia, o que acaba cristalizando uma imagem deturpada da profissão no ideário do público leigo.

Segundo a mesma autora, o profissional tende a reproduzir um modelo antagônico de sociedade por fazer, muitas vezes, parte de uma classe hegemônica incompatível, até mesmo lingüisticamente, com as camadas mais populares, o que dificultaria uma prática terapêutica eficaz, por ter visões de mundo divergentes e, portanto, resultaria numa seleção da clientela.

Isso remete à idéia de um profissional auto-suficiente, detentor de conhecimento, que dificilmente participa de equipes multiprofissionais e de programas públicos de saúde, como revela a pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Opinião Pública - IBOPE, contratada pelo Conselho Federal de Psicologia, que indica que 55% da atuação psicológica se dá na área clínica. (Folha de São Paulo, 2004).

Já Bock (1999), ao abordar um outro aspecto da profissão, ressalta que a Psicologia deve ter um compromisso social e, para isso, sugere que a sua finalidade principal deveria estar voltada para a melhoria das condições de vida da população brasileira, tomando o indivíduo como ator social ligado e inserido numa malha coletiva, que o constitui e é constituída por ele. O deslocamento de uma visão unilateral do sujeito como um doente que precisaria ser curado, para uma visão multilateral, além de promover seu bem-estar, orienta este sujeito no sentido de ampliar sua visão da situação na qual tem dificuldade de lidar, proporcionando assim sua autonomia. Além disso, propõe uma mudança estrutural da Psicologia, na qual haja criação de práticas e não reprodução delas.

 Pereza (1997) ressalta formação do profissional de Psicologia como sendo o marco de maior importância para uma alteração nos modelos de atendimento, principalmente sobre a população de camadas menos privilegiadas. Atualmente o grande desafio da Psicologia é aumentar o seu campo de atuação, deixando de ser, majoritariamente, clínica e elitista, para uma contemplação mais preventiva e popular.

Para corresponder a este perfil, o Psicólogo deveria, necessariamente, ampliar seu arcabouço teórico, revisar seus conceitos e, principalmente, romper com a noção de sujeito enquanto uma entidade, autônoma, individual e independente da cultura.

Igualmente, os cursos de graduação em Psicologia deveriam visar uma prática que ultrapassasse o consultório terapêutico individual e invadisse o território das relações sociais, buscando compreender a complexidade que se esconde por trás da vida cotidiana.

Com base nesta breve revisão bibliográfica, se pode inferir que há uma concepção estereotipada do Psicólogo, portanto uma representação social, que não corresponde objetivamente nem à profissão e nem ao profissional. Para superar tais desencontros, este deveria buscar formas alternativas de atuar na sociedade, agindo de forma preventiva e não excludente, contribuindo para mudar esta visão desfocada, não só a partir do olhar da sociedade que de seus serviços se valem, mas também do próprio profissional em relação ao seu papel social.

 

Objetivos, sujeitos e procedimentos. 

O objetivo principal da pesquisa foi investigar a representação social da Psicologia e do Psicólogo, bem como esta se constrói, segundo a percepção dos habitantes de Assis, cidade da região Centro-oeste do estado de São Paulo que, à época da pesquisa, contava com aproximadamente 87 mil habitantes. À época, a cidade contava com o curso de Psicologia da Unesp e uma gama de serviços prestados por este.

 A amostra foi composta por 271 sujeitos, distribuídos geográfica e proporcionalmente nos diferentes bairros que compõem a zona urbana do município. As entrevistas se deram através de visitas domiciliares, onde os entrevistadores utilizaram critérios de exclusão para descartar os entrevistados, cujos perfis não atendiam às características previamente definidas para a composição do plano amostral. Foram consideradas variáveis como sexo, idade, escolaridade, classe social e região geográfica de residência dos sujeitos. Os instrumentos utilizados foram questionários, semidirigidos, previamente testados, com questões abertas e fechadas, focadas no interesse da pesquisa, que contemplaram os seguintes eixos temáticos: características do participante, percepção acerca do profissional de Psicologia e representação social da Psicologia enquanto Ciência.

 

Tabulação, análise e interpretações dos resultados 

As respostas dos sujeitos foram tabuladas e analisadas considerando-se variáveis como sexo, idade, escolaridade e classe social dos entrevistados. Os dados são apresentados sob a forma de tabelas e/ou gráficos, para as questões do questionário ou para os cruzamentos entre elas, que se revelaram mais interessantes e significativos, segundo critérios dos pesquisadores e de acordo com os objetivos da pesquisa, seguidos dos respectivos comentários.

 

Figura 1. Sujeitos X Sexo

A amostra foi composta por 101 sujeitos do sexo masculino e 170 do sexo feminino, totalizando 271 sujeitos, desproporcional em relação à população, pela recusa natural de muitos dos sujeitos do sexo masculino em participarem da entrevista e mesmo em abandoná-la ― pedindo para a esposa substituí-lo ― quando informados sobre o conteúdo do questionário.

 

Tabela 1: Sujeitos X Idade

Idades

fi

%

16 ├ 26

43

16

26 ├ 36

49

18

36 ├ 46

62

23

46 ├ 56

54

20

56 ├ 66

40

15

66 ├ 76

17

6

76 ├ 86

6

2

Totais

271

100

 

Do ponto de vista das idades, a faixa etária mais representada foi a de 36 – 56 anos (43%), seguida pela de 16 –36 anos (34%).

Tabela 2: Sujeitos X Classe Social

Classes

fi

%

A2

7

3

B1

14

5

B2

36

13

C

187

69

D

24

9

E

3

1

Totais

271

100

                                                    

            Dos 270 sujeitos entrevistados, a maioria (69%) pertence à classe C seguida das classes B2 com 13% e D com 9%.


Tabela 3. Quando procura o Psicólogo.....

Categorias

fi

%

Religião

61

23

Psicólogo

58

21

Médico

57

21

Ninguém

33

12

Família

27

10

Amigos

18

7

Psiquiatra

6

2

Não sabe

6

2

Cônjuge

2

1

Neurologista

2

1

Outro

1

0,3

Totais

271

100

 

Com relação a quem, ou a que tipo de ajuda procuraria em casos de problemas familiares, depressão, conflito, entre outros, 23% dos sujeitos responderam Religião; 21% Médico; 21% Psicólogo, e 12% não procurariam Ninguém.

Não chegou a surpreender os números próximos entre os sujeitos que procurariam apoio religioso, médico e psicológico, tanto mais se considerarmos que a única menção nominal, na categoria outros, refere-se a um ex-padre, psicólogo que ocupa grande espaço na mídia local (rádio e tevê), com programas onde faz aconselhamentos diversos.

Outra relação possível para números e representações tão próximas pode ser depreendida de trechos das falas dos sujeitos, como se seguem: “Quando Deus não cura, eles (os Psicólogos) estão lá para isso” e “O cristão não tem esse tipo de problema, quem não tem o princípio cristão precisa dessas coisas”.

Sobre “em quais circunstâncias procurariam um Psicólogo”, 28% dos entrevistados o fariam em caso de Problemas “familiares, emocionais, financeiros, pessoais, no trabalho, com crianças e conflitos” seguidos por 24% que procuraria esse profissional em casos de Depressão.

Todas as manifestações incluídas na categoria Problemas, isoladamente ou combinadas, são, potencialmente, causadoras de variados e diferentes níveis de comprometimento afetivo e psicológico, incluída aí a depressão, que ainda parece ser mais associada a outras áreas do conhecimento, provavelmente à Psiquiatria.

Tal suspeita parece ser corroborada quando cruzamos as respostas da questão anterior com outra que avalia o grau de conhecimento dos entrevistados sobre o objeto da Psicologia.

Dos sujeitos que responderam que não procurariam um Psicólogo, a maioria (64%), afirmou não saber do que trata a Psicologia, o que faz sentido. Já em relação àqueles que procurariam um Psicólogo em caso de Depressão, 47% não soube apontar qual o objeto da Psicologia, e 21% concebem-na como estudo da mente.

Entre os que procurariam o Psicólogo por apresentarem Problemas (familiares, emocionais, financeiros, pessoais, no trabalho e com crianças), 33% disse também não saber do que trata a Psicologia.

Cabe ainda destacar que, do total de entrevistados 42% não soube definir o objeto de estudo da Psicologia, fato este que pode ser atribuído à natureza e complexidades próprias da ciência psicológica, dificuldade para se firmar como alternativa ao discurso médico, religioso e de auto-ajuda e, em parte, de compreensão do item proposto no questionário.

Entre as pessoas que arriscaram alguma resposta, muitas o fizeram com insegurança, referindo-se a fatores internos, sob a forma de clichês, o que se pode depreender em expressões como “vai no fundo da pessoa”; “trabalha a cabeça das pessoas”; “trata da mente, quando conversa comigo, ele (o Psicólogo) já sabe do que estou falando, se estou sendo sincero, malicioso, se quero aquele trabalho”. Apenas uns poucos usaram respostas conceitualmente corretas, como aqueles que a associaram ao estudo do comportamento (16%).

Paradoxalmente, do cruzamento entre as questões que indagavam, respectivamente, sobre qual imagem vem à cabeça quando se fala em Psicólogo e o que teria influenciado nesta construção, chegou-se a um resultado interessante, no sentido de valorização da profissão e do profissional, como aqueles que podem e precisam ampliar o seu campo de atuação.

Dos entrevistados, 49%, consideram o Psicólogo como um Orientador, categoria que foi constituída a partir o uso reiterado de palavras como ajuda, conselheiro, desabafo, e construções curiosas do tipo: “Psicólogo entende o ser humano, tenta ajudar”; “ele vê o problema de outra forma e tenta ajudar a resolver”; “é igual a padre, guarda para si mesmo”; “anjo da guarda” e “minha vizinha é minha psicóloga”. 

Entre os que têm a imagem do Psicólogo como Orientador 28% atribuiu esta concepção ao senso comum, 19% ao fato de eles mesmos, ou alguém da família (17%) terem feito terapia.

Já 11% do total de sujeitos não souberam responder ¾ fato que pode decorrer da falta de informação no que se refere à profissão ¾ e apenas uma minoria (8%) fez avaliação negativa em relação ao profissional, descrito de forma estereotipada (louco, despojado), e à profissão, de forma equivocada, através de expressões como “atrapalha mais, deixa mais louca”; “psicólogo só vive na lua”; “essa profissão não dá futuro”; “psicologia deveria fazer parte da medicina”; “psicólogo tá mais doente que a gente”; “em vez de ajudar dali pra frente procura lá no passado... o negócio é o momento”.

A fim de verificar se a existência do curso de Psicologia da Unesp-Assis é determinante para a concepção dos sujeitos acerca do profissional e do objeto da Psicologia, questionou-se há quanto tempo os entrevistados moravam em Assis e qual a importância do curso de graduação. Os entrevistados associaram a importância do curso de Psicologia ao atendimento à comunidade (38%) e ao progresso da cidade (37%). Porém, verificou-se que o tempo que residem em Assis é irrelevante para a formação de suas concepções a respeito do profissional e da ciência, já que o curso de Psicologia foi citado por apenas dois sujeitos como um fator que contribui para a formação de suas concepções,e muitos dos entrevistados até desconheciam a existência do curso de Psicologia.

A maioria absoluta dos entrevistados (86%) não conhece os serviços prestados pelo Centro de Pesquisa e Psicologia Aplicada –CPPA e dos 23 sujeitos que valeram-se de seus serviços, dos quais 14 o classificaram como bom. Novamente o tempo de residência em Assis não foi significativo para o fato de conhecer ou não o CPPA. Afinal, mesmo os moradores mais antigos o desconhecem, o que revela um déficit na divulgação das atividades do curso, em projetos de extensão e no próprio atendimento do CPPA.

           

Considerações Finais

 

A exemplo do que aparece na literatura, os resultados da presente pesquisa sugerem que o profissional de Psicologia é percebido de forma diversificada, através de definições que o colocariam numa área de atuação, cuja representação mais próxima seria a de um orientador, ou conselheiro.

Os sujeitos mostraram-se pouco esclarecidos com relação ao profissional e ao objeto de estudo da Psicologia, bem como sobre os serviços prestados pelo curso de Psicologia da Unesp o que pode ser conseqüência de problemas de natureza diferentes.

No primeiro conjunto de explicações possíveis estariam aquelas relacionadas à própria natureza da ciência e à complexidade do seu objeto de estudo, de resto, já bastante explorados por diversos autores.

Interessa-nos, particularmente, compreender de que forma e com que instrumentos a Psicologia pode contar, a seu favor, no sentido de firmar-se, cada vez mais, como uma ciência prática e resolutiva, preservadas as suas peculiaridades, de maneira a não ser subestimada ¾ em relação a outras ciências ¾ ou nivelada e confundida com charlatanismos, religiões e práticas de auto-ajuda.

A discrepância entre o grau de conhecimento revelado pelos sujeitos acerca da Psicologia e a atuação dos Psicólogos e a importância que atribuem à existência do Curso de Psicologia em Assis, sugerem que há um campo fértil para ser cultivado nas relações deste para com a comunidade.

Diante de tal quadro, a divulgação das atividades promovidas pelo curso de Psicologia, a intensificação dos trabalhos de extensão, bem como a ampliação do atendimento pelo Centro de Pesquisa e Psicologia Aplicada “Doutora Betti Katzenstein”, - CPPA poderiam ser alternativas para que houvesse uma redução nessa discrepância entre a amplitude das perspectivas de atuação da Psicologia e dos Psicólogos e a forma como ambos são percebidos pela comunidade local.

 

Referências Bibliográficas

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SCHULTZ, DUANE P. & SCHULTZ, SYDNEY ELLEN. História da Psicologia moderna, Editora Cultrix – 5ª edição, São Paulo

WERTHEIMER, MICHAEL. Pequena História da Psicologia, Companhia Editora Nacional-6ª edição, São Paulo, 1982

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Atualmente existe um outro curso de Psicologia na cidade, oferecido por uma IES privada.

As classes sociais foram defendidas a partir de critérios utilizados pela ABIPEME – Associação Brasileira dos Institutos de Pesquisa de Mercado. (ABIPEME,  1997)